Viagens, filho, felicidade

Vamos arrumar a mala, temos que sair com duas horas de antecedência, não gosto de chegar atrasado, o passeio vai ser tranquilo, é uma viagem mais família, pena que meu pai não veio, já fiz o nosso roteiro, você merece essa viagem, é como tirar férias dos serviços de casa, você ronca muito, não pára, o mais importante é comer todos os dias, arroz, feijão, uma verdura e uma carne, as minhas viagens são assim, procuro fazer uma boa alimentação, você é que vai escolher onde vamos comer dessa vez, mãe, pode falar, você está cansada? Quando quiser eu paro, eu tenho que resolver tudo?

Viajar com meu filho é assim, um ritmo acelerado, mas o que é mais engraçado sou eu, tentando acompanhar esse ritmo, mas tudo vale a pena, porque estar com ele, é a maior felicidade.

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Histórias, caminhos e conquistas

Quem já não se reuniu com a família e começou a recordar histórias engraçadas que aconteceram à muitos anos atrás, onde a falta de dinheiro era uma das principais dificuldades, mas que hoje em dia, provoca gargalhadas incontroláveis.

Foi num desses dias, que eu e meu filho começamos a lembrar das dificuldades financeiras de quando ele era criança. “Oh” coisa boa… rir de uma fase da vida que só nos acrescentou, e saber que quem nunca foi pobre jamais vai dar valor.

É engraçado como lembro de coisas que aconteceram também na minha infância e me pego rindo sozinha, lembrando por exemplo, da esteira que minha mãe me mandava comprar (muitas vezes fiado) na Quitandinha. Carregava a esteira nas costas (aquela que seria a minha cama e a de meus irmãos) sem nenhum constrangimento, desfilando pela rua. “Ah” … eu era feliz e não sabia.

Meu filho, hoje com vinte e cinco anos, já mostra sinais de saudosismo. Conversando comigo em outro dia, lembrou que eu gastava o pouco dinheiro que tinha para levá-lo ao cinema, mas a pipoca tinha que ser feita em casa, ele achava um tremendo mico, porém eu achava tão prático, estava resolvendo um problema, o lado financeiro era escasso. Falava pra ele: – Meu filho, aquele pacote enorme que eles vendem lá é pura ilusão, podemos levar a pipoca discretamente na bolsa, ninguém vai reparar (risos).

Outra coisa que eu fazia com ele, tadinho, hoje em dia fico com pena, para conseguir pagar o lanche no McDonald’s, tínhamos que ir andando (cerca de 30 minutos) até o local e na volta a mesma coisa, porque o dinheiro era contado. Porém, o meu garoto, muito gordinho, topava a empreitada! Para ele valia mais o lanche, a companhia, as gargalhadas de nós mesmos quando no calor do verão as “cordinhas” pretas no pescoço e nos pés, marcadas pelas sandálias, provavam que andamos um bocado.
São muitas as histórias para compartilhar com a família e os amigos. Momentos que vão se tornar inesquecíveis e sempre irão nos fazer gargalhar quando lembrarmos.

Meu filho hoje viaja, passeia por diversos lugares e tem o privilégio de comer em vários restaurantes, mas sei que ele nunca vai esquecer da pipoca e daquele “lanchinho suado”, porque nessa vida tudo tem mais valor quando é conquistado.

Valeu a pena tudo… até o boi

Chegou domingo…tempinho legal, passeio combinado:Feira de São Cristóvão. Pessoas escaladas para o “tour”: Eu (carregando meus acessórios de sempre na sacolinha), marido (cheio de disposição, agradando a todos), filho (como sempre, lindo, simpático), minha sobrinha Renata (ótima companhia, animada, comunicativa, sempre pronta para selfies) e Ana (grata surpresa dos últimos tempos, #afinidademãefilhoana).
Chegando na feira já começamos a tirar fotos, primeiro foi Gonzagão, depois o boi… Muito interessante dizer que nem entendi porque tiravam tanta foto com aquele boi, mas pensei “Por que não tirar?” Fui na onda, posei e tirei uma foto onde os chifres se destacavam mais que a minha pessoa de um metro e cinquenta e um…rss. E por falar em boi, andando mais um pouco na feira, percebemos logo que teríamos que decidir onde iríamos almoçar. Passamos por muitos restaurantes, e eram muitas as ofertas e garantias de melhor comida, melhor preço, melhor serviço. No final nos decidimos, não sei se foi o melhor para todos, mas o importante é que tinha meu prato preferido: bife com muitas batatas fritas.

Após o almoço resolvemos ir embora, já tínhamos visto tudo, não tínhamos a intenção de comprar nada mesmo, ninguém estava no clima para dançar…mas valeu, porque passear com a família, com amigos, sempre vale a pena.

Um bom lugar

Amanheceu…olhei para o celular que estava ao meu lado e vi que se aproximava da hora de sairmos.
Levantei, peguei uma sacolinha preta (muito utilizada nessas ocasiões) e comecei a colocar tudo que iria precisar para o passeio com meu filho: Sombrinha, dipirona, remedinho para gases, um rolo de papel (aquele que todos nós usamos diariamente…rss), carteira, celular, uma garrafinha d’água (essa não podia faltar).

Antes de relatar o passeio, não posso deixar de colocar essa observação: Sair com alguém do sexo masculino que mora com você, seja filho ou marido, a cena sempre será a mesma, a pessoa vai acordar bem mais tarde que você, vai se arrumar rapidinho e vai te perguntar com uma expressão de “não estou entendendo”: – Ainda não está pronta? (poderia dizer que acordei cedo, fiz café, lavei louça, passei…melhor não…rss). Sem argumentos, só pedi pra dar uma última ida no banheiro. E lá fomos nós.

O tempo estava ótimo para o passeio, acertamos ao escolher aquele domingo, nosso programa era ao ar livre e nosso destino era o Parque Lage. Ao chegar, me deparei com um lugar simples e agradável. Era lindo de se vê  aquela estrutura antiga, com um gramado onde crianças, idosos, jovens, simplesmente contemplavam a natureza, “curtindo”cada um à seu modo, aquele dia de céu azul. Eu, por minha vez, sentada com meu filho em um dos bancos, tentava fazer selfies. De um lado do gramado, estavam algumas moças fazendo bordados, como que esquecidas no tempo, de outro uma moça que desenhava a paisagem sem perceber que ela com sua beleza peculiar poderia fazer parte do seu desenho, tamanha era a proximidade dela com aquela beleza em sua volta.

Um lugar calmo e sereno que me trouxe a memória boas recordações, como a lembrança do filme “Um lugar chamado Notting Hill”, onde a simplicidade, o amor, se traduziu na última cena.

Em resumo, apreciei o passeio dessa forma, e ele foi assim, bom e prazeroso, não usei os medicamentos, nem a sombrinha, não usei nada, só bebi a água da garrafinha. Pegamos o “Bus” e voltamos para casa com a sensação gostosa de ter ido em um bom lugar.